sábado, 10 de janeiro de 2026

10/01/2026

Mais um dia em que passo horas a caminhar enquanto faço scroll infinito numa aplicação de encontros. Um gesto quase automático, repetido vezes sem conta, como se a qualquer momento algo pudesse mudar. Mas não muda. A maioria das pessoas nem responde. Quando respondem, muitas vezes estão fora da minha faixa etária ou são pessoas com quem não me identifico minimamente.
Há também o outro cenário. Às vezes até encontro alguém, chego a ir a um date. Mas ou a pessoa não quer nada comigo, ou quer… e sou eu que não sinto vontade. É um desencontro constante. Nada encaixa. Nada flui. E repetir este ciclo todos os dias é profundamente frustrante.
Percebo também que, quando finalmente parece haver alguma ligação, a pessoa está quase sempre longe. Distante demais para que seja simples, leve ou possível no dia a dia. Isso só aumenta a sensação de desgaste, como se até quando algo parece promissor viesse já com um obstáculo embutido.
No meio disto tudo, a solidão instala-se. Não apenas a solidão romântica, mas a solidão de não ter alguém por perto para conversar, para partilhar o quotidiano, para estar presente. Tenho amigos, mas estão longe. E essa distância pesa. Fico frustrado. Fico cansado. E, acima de tudo, fico sozinho.

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