sábado, 10 de janeiro de 2026

10/01/2026

Mais um dia em que passo horas a caminhar enquanto faço scroll infinito numa aplicação de encontros. Um gesto quase automático, repetido vezes sem conta, como se a qualquer momento algo pudesse mudar. Mas não muda. A maioria das pessoas nem responde. Quando respondem, muitas vezes estão fora da minha faixa etária ou são pessoas com quem não me identifico minimamente.
Há também o outro cenário. Às vezes até encontro alguém, chego a ir a um date. Mas ou a pessoa não quer nada comigo, ou quer… e sou eu que não sinto vontade. É um desencontro constante. Nada encaixa. Nada flui. E repetir este ciclo todos os dias é profundamente frustrante.
Percebo também que, quando finalmente parece haver alguma ligação, a pessoa está quase sempre longe. Distante demais para que seja simples, leve ou possível no dia a dia. Isso só aumenta a sensação de desgaste, como se até quando algo parece promissor viesse já com um obstáculo embutido.
No meio disto tudo, a solidão instala-se. Não apenas a solidão romântica, mas a solidão de não ter alguém por perto para conversar, para partilhar o quotidiano, para estar presente. Tenho amigos, mas estão longe. E essa distância pesa. Fico frustrado. Fico cansado. E, acima de tudo, fico sozinho.

sábado, 8 de novembro de 2025

8/11/2025

Tem dias que acabo por pensar um pouco nas coisas como elas são.
Vivo neste mundo muitas vezes sentindo-me sozinho e este sentimento quando vivia com a minha irmã não era diferente. Afinal o que sempre procurei foi conexão. Alguem que me entendesse acima se tudo.
Vejo muitas pessoas revoltadas, uns contra os outros. Sinto que estão a convencer aqueles que têm pouco que o problema da sociedade é os que nada têm. Esta reflexão ja a fiz muitas vezes. E o problema que vejo é sempre o mesmo; aumento de tudo o que é mau, rascismo, xenofobia, discursos de ódio. Pessoas unidas em prol de fazer mal a outros que nem sabem como se defender mesmo disto. 
Tem uma parte de mim que acredita que isto se resolvia se estes que propagam o ódio sentissem na pele, mas sei que isso nao funcionaria, afinal mesmo que as coisas piorem eles ainda vão acreditar que estão fazendo o bem e que os culpados são os mesmos.
Todas as semanas a rotina é a mesma. Trabalho toda a semana e o fim de semana é o escape. Escape para estar comigo mesmo e conseguir pensar em todas estas coisas. 
Uma parte de mim gostava de dormir, não no sentido de morrer, mas no sentido de descansar, descansar até voltar a ter energia e vontade de sair da cama, mas mesmk com este pensamento e mesmo estado de férias eu me arrasto para fora da cama para fazer algo, algo comigo mesmo. Pois quando se as luzes apagam só tem eu. 
Tem dias que passo horas no ciclo infinido procurando em aplicações de encontro wlguem que esteja comigo, alguem que esteja sempre comigo, mas nunca encontro, e mesmo depois de cansado de procurar volto a tentar em outro dia pois o que penso é quebem algum momentk vou encontrar.
A questão é que muito destas pessoas que encontro querem comecar algo comigo pelo sexo de uma noite e ainda temnquem defenda que isso é nao ser profundo. Entretanto eu penso exactamente o oposto, conhecer e ir tomar um café nao é ser profundo, mas quando partilho o meu corpo com alguem isso sim é ser profundo.
Maior parte das pessoas que se sentem atraidas por mim eu não me sinto e voce versa. A vida é muito estranha sobre este assunto.


terça-feira, 1 de julho de 2025

1/07/2025

Ontem não quis falar sobre isto mas hoje sinto-me mais confortável para o fazer. 
O amor é como o fogo ou o dominamos ou pode consumir-nos.
Eu entendo que sentimentos não são controlável e por vezes tenho a tentação de o fazer. Visto isto vou encerrar um tema.
Embora o coração ainda sinta, tomo a decisão de largar esta paixão para sempre.
Já tudo foi revelado e não tenho mais caminho por percorrer.
Manter o desejo que sinto será continuar a prolongar este sofrimento.
Dói, dói muito, mas um dia vai deixar de doer. 

segunda-feira, 30 de junho de 2025

30/06/2025

Não me sais da cabeça.
Eu não devia ter estes pensamentos mas tem horas que só penso em ti.

domingo, 29 de junho de 2025

29/06/2025

Hoje domingo, estive com o Du.
Levou-me a mais sítio bonitos. Se ele soubesse o quanto eu gosto de quando estamos sozinhos nesses lugares; se ele soubesse que o imagino a beijar-me tantas vezes.
Estivemos em Peniche e foi lindo, adoro ir com ele a estes lugares, era capaz de fazer isto com ele toda a vida.

sábado, 28 de junho de 2025

28/06/2025

Hoje como em todos os fins de semanas volto a visitar Lisboa. 
Lisboa continua a ser a minha cidade, mesmo que não seja perfeita.
Tantos caminhos que já explorei e muitos outros para explorar ainda.
Talvez eu devesse sentir leveza, mas não é bem isso que sinto.
No meio de tantas pessoas confesso que em alguns momentos sinto uma tamanha solidão, não por estar sozinho pois existem muitas pessoas nesta cidada, mas por não conhecer nenhum rosto amigável no meio de tantos olhares.
Falei com a minha mãe e apesar de nunca poder afirmar um diagnóstico sempre que falo com ela vêm sempre ideias estranhas, fora de contexto, crenças que não consigo ter. 
Sentando neste banco da avenida da Liberdade recordo pequenos momentos que vi hoje.
Recordo-me da praça do Rossio estar com pessoas com bandeiras da Ucrânia a tentar pedir ajuda pelo seu país, de pessoas sentadas nos degraus de portas junto da Avenida da Liberdade, pessoas sem família, sem casa, esquecidas pelo mundo.
Que estou eu a fazer?
Novamente a percorrer um caminho, a desculpa agora é perder peso, mas será de facto a verdade?

quinta-feira, 26 de junho de 2025

26/06/2025

Como eu gostava de sentir o sabor dos teus labios, sentir o teu corpo. 
Bem sei que não iremos ter nunca nada, mas estes pensamentos ainda estão na minha cabeça.
Sempre que te vejo a sorrir tenho uma vontade incontrolável de te beijar.
Eu entendo que não deveria sentir estes pensamentos carnais, mas a realidade é que os sinto com uma grande intensidade.

terça-feira, 24 de junho de 2025

24/06/2025

Como eu gostava de não sentir esta ansiedade toda, não existe mais razão para a sentir. A função da ansiedade é tentar me proteger, mas não preciso de ser protegido neste momento.
Sinto como se tivesse levado um murro no estômago e isto não é poetico é mesmo algo físico que sinto.
Agora preciso de algum tempo para voltar ao meu normal e isso vai acontecer bem em breve.
Não consigo entender como me fui apaixonar. Não compreendo este sentimento.
Andei eu a falar com tantas outras pessoas e não me apaixonei por nenhuma. 
Sinceramente até achava que não tinha mais essa capacidade.
O lado positivo é que voltei a provar a mim mesmo que não perdi esta capacidade de me apaixonar por alguém. 

segunda-feira, 23 de junho de 2025

23/06/2025

Ainda me sinto muito ansioso com tudo.
Hoje foi um dia com pouco exigente no trabalho e ainda bem. 
Não existe culpa de ninguém por eu me sentir assim. 
Eu sei que preciso seguir em frente mas o meu coração ainda pensa nele em segredo ainda.

domingo, 22 de junho de 2025

22/06/2025

Rejeitado! Parece que é sempre assim. Quando gosto de alguém sempre acontece isto.
É duro é verdade mas eu já sabia que isso iria acontecer como ja tinha escrito antes.
Yah racionalmento eu sei que não está nada errado comigo, simplesmente as coisas são como são. 
Estou a tentar ser pragmático. Não vou abafar este sentimento, por que o sinto e sei o quanto dói.
Pelo menos cumpri a promessa de não me involver com ele. 
Sinto-me tão triste. Ainda sinto o estômago enrolado.  Sinto me sozinho. Sinto vontade de chorar.

21/06/2025

Hoje voltei da Madeira para Lisboa. O céu estava meio nublado, como eu. Nem claro, nem fechado. Só cheio de coisas por dentro.
Na descolagem senti aquele medo habitual. O corpo encolhe, a mente acelera. Sem pensar, apertei a mão do Du. Ele não reagiu. Não se afastou, mas também não retribuiu. Ficou ali, quieto. E eu percebi. Soltei devagar. Não quis que notasse o que aquele gesto dizia sem palavras.
Durante o voo tivemos conversas que tocaram mais fundo. Falámos de coisas sérias, coisas que normalmente ficam no fundo da gaveta. Foi estranho como tudo fluiu com leveza, mesmo sendo denso. Com ele sinto que posso dizer mais do que costumo mostrar.
Na aterragem, quando o medo voltou, ele percebeu. Ele foi-me apontando lá de cima as ruas, os bairros, os lugares de Lisboa que começávamos a ver da janela, entre um sorriso e um suspiro, fui voltando devagar ao corpo. Como se aquelas palavras me trouxessem de volta ao chão com menos medo.
Foi uma aterragem suave por fora e confusa por dentro. Nem sei bem o que sinto. Só sei que com ele tudo parece mais fácil de suportar, mesmo o que nunca deixei ninguém ver. E talvez isso diga mais do que qualquer resposta que ele não me deu.
Por fim passei a noite na casa dele. Adorava ter dormido abraçado a ele, mas isso é pedir de mais. 

sexta-feira, 20 de junho de 2025

20/06/2025

Hoje fui com o Du ao Pico do Areeiro ver as estrelas. A Madeira tem destes lugares que nos tiram o fôlego, mas hoje o que me tirou mesmo o fôlego foi ele.

Estava tanto frio lá em cima. Abracei-o, meio por instinto, meio por vontade de ficar mais perto. Disse que era só para me aquecer, mas acho que o meu corpo falou mais do que as palavras conseguiam esconder.

Enquanto olhávamos o céu, senti aquele silêncio confortável que só existe com quem realmente nos faz bem. E dei por mim a pensar que talvez estes sentimentos que ando a empurrar para o fundo estão a começar a querer existir cá fora.

Não sei o que isto é. Só sei que hoje, por uns instantes, desejei que aquele abraço não acabasse. E que talvez, só talvez… ele sentisse o mesmo.

quinta-feira, 19 de junho de 2025

19/06/2025

Não sei se é só carência ou se é mesmo este desejo crescente de estar com ele.
A verdade é que aquela conversa mexeu demasiado comigo. Ele contou, como se fosse nada, que comprou um dildo na Amazon para se ajudar a vir-se. Soou tão íntimo, tão cru… e eu mal consegui controlar-me. Foi intenso demais.
Desde que ele esteve fora de Portugal, senti um vazio estranho. Uma vontade incontrolável de o ver, de estar perto. Será que isso é paixão?
É tudo tão confuso, tão novo. E por mais que tente racionalizar, continuo a pensar nisto sem parar.
Mas preciso manter-me firme. Não posso ceder. Não posso envolver-me com alguém que, no fundo, sei que me vai rejeitar.
Mesmo assim… o coração não entende o que a cabeça já sabe.

Desejá-lo em silêncio foi o incêndio mais calado que já ardeu em mim.

quarta-feira, 18 de junho de 2025

18/06/2025

Hoje falei com o Duarte, talvez eu seja mais uma vez a pessoa errada que goste dele.
É dificil sofrer em silêncio por alguém que nunca vai gostar de nós.
É só triste mesmo,  já escrevi várias histórias destas e sei como todas terminam.
Já lhe dei os sinais suficientes e ele próprio já notou. 
Se estivesse a fim de mim teria feito algo, então se não o fez foi porque não pertende iniciar nada comigo.
Hoje levou me a conhecer mais coisas da vida dele e claro que eu me derreti, mas não quero criar ilusões.
Hoje comheci um rapaz o Daniel da Madeira pessoalmente,  ele é mega giro como o sempre achei, ele contou me que tem uma relação mas que já está mais para acabar que outra coisa o que me faz pensar novamente que estas relações são todas uma merda.
Ainda assim o Du mexe comigo muito mais.
O du disse me literalmente que eu nao sou o tipo dele no meio de uma conversa en um bar na frente do Daniel, senti-me uma merda claro.
Odiei a sensação de rejeição,  mas no final da noite o que fiz foi lhe dizer que é verdade que sinto algo por ele mas de forma suave sem ser directo ao ponto. Não é exactamente o tema que gostaria de tocar mas estava a sentir me forçado.
Penso que quando ler a minha mensagem vai entender.

terça-feira, 17 de junho de 2025

17/06/2025

Acabei de acordar, e agora pensando de forma mais clara, isto não vai dar em nada.
Este homem consegue-me fascinar bastante. 
Uma mistura de uma vida misteriosase e coisas em comum.
Facilmente consigo imaginar como seria se ele me apresenta-se à mãe. 
Estas férias na Madeira têm sido incriveis, tem paisagens muito bonitas e tenho feito muitas caminhadas.
Hoje vou fazer de conta que toda àquela conversa de ontem não existiu.
Existem segredos que não devem nem ser falados. 
Sempre que olho para ele sinto um desejo carnal muito dificil de controlar, é meu amigo, não posso estragar tudo. 
Estou meio estranho rodeado de pensamentos. 
Estou a viajar ainda em pensamentos como se estivesse preso nisto.
Não estou a conseguir reagir. 
Talvez me esteja a colocar de parte. 
Já faz algum tempo que não me sentia assim a viajar em pensamentos, não gosto nada de estar assim, eles vão começar a notar que não estou bem. 
Preciso voltar ao normal.
Que cena estou a sentir o coração nas lonas. 
Hoje depois de ontem ter bebido poncha e de hoje ter ido à prova de vinhos do vinho Madeira, estou a sentir-me muito mole.
Sinto o meu coração nas lonas. 
O Duarte confrontou-me sobre a cena de ontem. Ele sabe claramente que eu gosto dele. Se ele gosta ou não de mim, não sei, mas o medo de rejeição faz com que não lhe diga nada.
O Vitor veio ter connosco, mas a cena é que nem tenho vontade de estar com ele. 
Eu deveria voltar e não os deixar ali sozinhos sem mim. 
Vou acabar de escrever isto e vou lá ter com eles.
Estou ansioso para voltar para casa e ir dormir. Preciso de voltar ao normal.
Estas coisas do coração não são nada fáceis de gerir. É este o motivo de eu nunca gostar de me apaixonar por ninguém.

segunda-feira, 16 de junho de 2025

16/06/2025

Tenho estado de férias em casa do Duarte.
Hoje percebi que ele sabe que eu gosto dele.
Sei que nunca vai dar em nada e prefiro te-lo como amigo do que de forma alguma.
Não é a primeira vez que sinto isto, ja em casa da minha irma quando dormi com ele eu abracei-o e desejei que ele fosse parte da minha família. 
Muito antes disso ja desejei isso em casa da minha irma bela.
Sempre lhe dei conselhos sobre relacionamentos, não bem por ser amigo mas porque gosto muito dele.
Hoje estou bem agitado com isto.
Tenho vontade de o abracar de o beijar e dizer-lhe claramente que gostaria de ficar com ele, mas existe uma amizade de vários anos que nunca iria colocar em causa. 
Bebi demais e ele disse me claramente que sabia mesmo sem eu lhe dizer que eu sinto algo por ele. 
A cena é que ele nao sente nada por mim e então não poderia tentar nada.
Estou a ser ponderado e se ele não der o primeiro passo eu não irei dar, mesmo que tenha vontade disto.
Vou lutar com todas as minhas forças para não dar passo algum. Na verdade até acho que já dei esse passo. Se ele sente e sabe que gosto dele então já fiz a minha parte. Agora cabe a ele tentar se realmente quiser. Se não der esse passo é porque não tinha de ser. 



domingo, 15 de junho de 2025

15/06/2025

Estou de férias na Madeira.
Hoje passado todos estes anos eu vim conhecer a Madeira, foi incrivel fazer esta viagem com a Gaby e o Du.
Gostava de abordar um assunto hoje, não sei se é carência minha mas, sempre que estou com o Du ultimamente sinto atracao por ele, sinto carinho e vontade de o abraçar.
Talvez nunca tenha coragem de lhe dizer. Talvez nunca tenha coragem de tentar ter algo mais. Tenho medo por estas amizade de anos e por isso sempre fujo disto.
Mas eu gosto dele. Recordo-me da primeira vez que o vi quando o meu ex namorado me apresentou, achei-o super giro.
E ao longo de todos estes anos sempre que estou com ele eu sinto que gosto dele, mas este é um gostar diferente. Não é um gostar sexual é um gostar de o querer proteger por ser mais novo e ao mesmo tempo, admiro a inteligência dele.
Elebpor vezes é mais bruto a falar mas eu gosto dele ainda assim.
Hoje estou a dormir ao lado da cama dele mas tenho uma terrível vontade de deitar ao lado dele, mas eu nunca o faria, não iria querer invadir o espaço dele.
Provavelmente nunca vamos ter nada, mas eu dou-lhe deixas bem softs mas não sinto que seja correspondido. 
Este medo de não ser correspondido faz com que eu nunca queira dar esse passo.
Poderá dois amigos ao fim de tantos anos se apaixonarem?

terça-feira, 20 de maio de 2025

20/05/2025

Este domingo assisti às eleições. E tudo aquilo que mais temia aconteceu. A extrema-direita cresce… o populismo ganha força… e com ele, um medo que me acompanha há anos voltou a instalar-se no peito. Não é um medo qualquer — é o medo de perder direitos, de ver apagadas conquistas pelas quais tantos lutaram antes de mim. Medo de que a minha existência, enquanto pessoa LGBT+, volte a ser vista como um problema. Um desvio. Um erro.

Foi por isso que entrei para um partido. Por medo, sim — mas também por coragem. Pela vontade de fazer frente a essa onda escura que quer engolir tudo o que é diferente, tudo o que é livre.

Não entendo o que se está a passar no mundo. Não entendo como, perante tantas opções, tantas vozes diferentes, tantas propostas mais humanas, continuamos a escolher os extremos. Como é que, sabendo que os extremos — de qualquer lado — nunca trouxeram paz, continuamos a alimentar o ódio e a discórdia?

Não é este o mundo que quero viver. Muito menos o mundo que quero deixar para quem vem depois.

Sinto-me derrotado hoje. Mas mesmo assim, quero ser esperança para alguém. Quero que, daqui a uns anos, alguma pessoa mais nova olhe para trás e me veja como um símbolo de resistência. Não por vaidade. Não por ego. Mas porque eu também precisei desses símbolos. Precisei do Pedro HMC, do Francisco Soares (o kikoishot), da Cristina Rodrigues (La Veneno), da Rupaul. Precisava deles para acreditar que era possível existir, resistir e, sobretudo, viver com orgulho.

Se agora sou eu quem carrega essa tocha, que assim seja. Mesmo que doa. Mesmo que me custe. Porque se há algo que aprendi com eles, é que vale sempre a pena lutar por um mundo mais justo.

sexta-feira, 25 de abril de 2025

25/04/2025

Há histórias que nos atravessam, e esta foi uma delas.

Conheci um rapaz através da minha senhoria, que me mostrou uma publicação comovente sobre ele. Vivia na rua, em situação de grande fragilidade. Senti de imediato que queria ajudar. Mexeu comigo. Falei com associações, procurei contactos, tentei abrir-lhe portas.

Com o tempo, as coisas começaram a mudar para ele. Arranjou trabalho, encontrou um lugar para viver, e a nossa relação passou de apoio para amizade. Eu sentia orgulho por vê-lo dar a volta por cima. Estava tudo a correr bem.

Até que chegou o aniversário dele.

Planeámos ir ao Algarve, ficar em casa de uma amiga minha. Naquela semana eu estava exausto — o trabalho tinha-me consumido — mas mesmo assim não quis falhar com ele.

O ambiente começou a ficar estranho quando percebi que ele estava a conhecer melhor essa minha amiga. Ele perguntou-me o que achava. E eu, com a melhor das intenções, disse-lhe para ir com calma. Tinha acabado de sair da rua, de conseguir um emprego, e também tinha terminado recentemente uma relação à distância que durava há anos. Além disso, partilhei com ele — apenas por preocupação — que não achava a minha amiga muito estável emocionalmente, até porque há pouco tempo eu tinha sabido que se sentia atraída por uma mulher.

Quis proteger. Nunca julgar.

O que eu não esperava foi o que aconteceu nesse fim de semana.

Foi na sexta-feira que tudo começou.

Duas amigas vieram buscar-me a casa para seguirmos viagem. E foi logo ali, no meio de uma conversa aparentemente inocente, que uma delas se descaiu e disse, à frente da outra, que eles já namoravam. Fiquei em choque. Não disse nada no momento, mas por dentro senti aquela dor de quem é deixado de fora. Aquela sensação de “espera aí, mas por que razão ninguém me contou isto?”.

Mas o pior ainda estava para vir.

Assim que entrámos no carro percebi que ia ser uma viagem longa — e não só em quilómetros. Íamos pela estrada nacional, que já por si me deixa mais desconfortável, cheia de buracos, sem separador central, com curvas apertadas. E para piorar, iam em excesso de velocidade. Como se não bastasse, começaram a fumar ganzas dentro do carro. A música estava absurdamente alta, num estilo que não ajudava em nada a acalmar o ambiente.

Eu comecei a entrar em pânico.

Sentia o peito apertado, a respiração curta, o coração a disparar. Estava a tentar manter a compostura, mas por dentro estava a desmoronar. Só queria que a viagem acabasse. Só queria chegar inteiro ao Algarve.

Houve um momento em que o rapaz, talvez sem perceber o meu estado, disse que se fôssemos pela autoestrada eu teria ainda mais medo. Mas respondi que não era bem assim. A autoestrada tem separadores, tem várias vias, é mais segura, mais previsível. A estrada nacional, naquele ritmo, era tudo menos segura.

Foi uma viagem terrível. Não só pelo desconforto físico e emocional, mas por sentir que estava num espaço onde os meus limites não eram respeitados. Senti-me sozinho, mesmo rodeado de gente. Por sorte tinha um calmante de SOS. 

Durante a viagem, mantive-me em contacto com a minha amiga do Algarve. Ia-lhe contando tudo por mensagem: o desconforto, o ambiente no carro, a minha ansiedade. Ela foi compreensiva, preocupada, e eu só pensava em chegar e ter um lugar onde me pudesse sentir seguro.

Assim que pusemos os pés no Algarve, saí disparado do carro em direção à casa dela. Já não aguentava mais aquele ambiente. Não era birra, nem drama — era um limite emocional. Eu só queria respirar. Estar bem.

Mas mesmo depois de chegar, a sensação de desconforto não desapareceu.

Durante aqueles dias, o casalinho não se largava. Não me incomodava que estivessem juntos — isso era o menos — o problema era o isolamento. Sentia-me uma vela. Estávamos ali várias pessoas, todos a tentar tornar aquele fim de semana especial, todos a dar o nosso contributo. Mas ele parecia absorvido só naquela relação, como se mais ninguém estivesse ali. Inclusive no dia de anos dele, que era o motivo de estarmos todos juntos.

A minha amiga do Algarve tinha sido impecável em ceder a casa. Tinha gatos e pediu, com razão, que tivéssemos cuidado com as portas — para que os gatos não fugissem — e também que não se fumasse dentro de casa. O pedido do cigarro foi respeitado. Mas o das portas, não.

Era a primeira vez que ele estava naquela casa, a primeira vez que o trazia para dentro de casa desta minha amiga. Uma coisa é estar num espaço de alguém e fazer parte. Outra é estar e não respeitar. E todo o clima — entre a tensão silenciosa, os descuidos e a sensação de exclusão — só me fazia sentir pior.

Durante o dia, fomos até à praia. Um passeio que, em teoria, podia ter sido leve, bonito, até curativo depois de tudo o que eu já tinha sentido. Mas não foi.

Mais uma vez, lá estavam eles: sempre juntos, sempre colados. E nós, os restantes, lá atrás, quase como figurantes. Eu tentava aproveitar o mar, o sol, a brisa. Mas era difícil ignorar o desconforto de me sentir completamente à parte. A certa altura, já nem disfarçava o que sentia.

Cheguei a comentar — talvez de forma meio irónica, meio desabafo — que, se era para ser assim, então mais valia terem comemorado o aniversário sozinhos, só os dois. Disse-o sem maldade, mas com sinceridade. Porque era isso que parecia: que o resto do grupo estava ali a fazer número. E isso doeu.

Doeu porque eu tinha feito um esforço para estar ali. Porque me preocupei, porque tentei proteger, porque quis genuinamente ajudar. E no fim, era como se tudo isso tivesse sido descartado. Como se a minha presença já não fizesse diferença.

Voltámos para casa e continuámos com os preparativos para o jantar. Eu estava a ajudar, como sempre, a colocar a mesa, a tentar manter alguma normalidade. Mas mais uma vez, eles estavam colados um ao outro, alheios ao resto do grupo. Aquilo já não era justo. Não comigo, não com os outros que também estavam ali para celebrar.

Não me lembro exatamente como começou, mas de repente a minha amiga — agora namorada dele — começou a berrar comigo. Nunca me tinha falado assim antes. E eu, já com tudo atravessado, também me passei. Gritei de volta. Foi aí que deixei sair tudo. Tudo o que tinha guardado desde o início daquela viagem. A tristeza, a exclusão, o cansaço, a frustração por sentir que fui deixado de lado.

Depois disso, fui para o quarto. Precisava de me afastar. De respirar.

Mais tarde, saímos todos para uma esplanada de um bar. Eu já ia com um peso enorme no peito e só queria aliviar aquilo de alguma forma. Acabei por beber — não por gosto, mas quase como um escape. Queria que a dor abrandasse, queria que a minha língua ficasse mais solta para conseguir dizer tudo o que tinha engolido.

E foi isso que aconteceu. Bebi e disse. Disse à namorada dele tudo o que tinha guardado, tudo o que me estava atravessado. Não foi bonito. Não foi leve. Mas foi verdadeiro. Porque às vezes o que guardamos começa a gritar cá dentro.

No sábado, acordei tarde. Entre o álcool da noite anterior e o cansaço acumulado da semana, o corpo já não respondia. Passei parte do dia a dormir, a tentar recuperar um mínimo de paz.

E mesmo assim, ela ainda veio atirar-me à cara: “Se querias tanto passar tempo connosco, por que passaste o dia a dormir?”

Mal sabia ela o que aquele tempo tinha custado. O esforço que foi estar ali. E como me senti o tempo todo… invisível.

A verdade é que, depois de tudo, já não me lembro de muitos detalhes. Estava esgotado — emocionalmente, fisicamente, mentalmente.

Lembro-me apenas de uma coisa muito clara: no regresso a Lisboa, coloquei uma condição. Disse que, se não fosse outra pessoa a conduzir, preferia ir de autocarro. Não queria, de forma alguma, repetir a viagem da ida. Era uma questão de segurança, mas também de autocuidado.

Acabou por ser uma amiga — a [i], que tinha vindo comigo de Lisboa e que, curiosamente, foi também quem me contou logo no início do fim de semana sobre o casal — a conduzir na volta. O casal ficou lá atrás, e eu fui lá à frente com a [i]. Silencioso. A tentar digerir tudo.

E foi assim que deixámos a casa da [g], a amiga do Algarve, que nos recebeu com tanta generosidade, apesar de tudo o que se passou.

Essa viagem ensinou-me muito. Sobre mim. Sobre os outros. Sobre os limites entre ajudar e anular-se. Sobre como, às vezes, mesmo quando damos tudo com o coração, nem sempre isso é reconhecido — e está tudo bem. O importante é não nos perdermos a nós próprios no processo.

O tempo passou. E com o tempo, algumas feridas pareciam ter começado a sarar. Fiz as pazes com a [b], a namorada do [r]. Falámos, esclarecemos mágoas e tentámos recomeçar uma convivência minimamente saudável. Parecia que as coisas estavam, finalmente, a acalmar.

Mas hoje, neste 25 de Abril — dia que simboliza liberdade — o que recebi foi tudo menos isso.

Hoje recebi ameaças de morte do [r].

Mensagens diretas. A dizer que se eu fizesse alguma coisa contra a ex-namorada dele, que me matava. Que eu “desaparecia num bidão”. Palavras pesadas, agressivas, que não se dizem a ninguém — muito menos a alguém que, em tempos, só quis ajudar.

Mas para entender como chegámos aqui, é preciso voltar um pouco atrás.

Depois daquele fim de semana no Algarve e já passados vários meses, houve um episódio que agora parece pequeno, mas que marcou o recomeço de algo estranho. Estava com um amigo, o Gonçalo, e decidimos ir jantar ao McDonald's. Nada de especial. Mas ao chegar à entrada do restaurante, vi o [r].

Cumprimentei-o com naturalidade, sem rancor. Achei que não faria mal. Que um simples “olá” não magoava ninguém.

Fiz o meu pedido, sentei-me com o Gonçalo, e enquanto comíamos reparei, pela janela, que ele andava para a frente e para trás, inquieto, como se estivesse ansioso. Não dei demasiada importância na altura. Mais tarde, já em casa, mandei-lhe uma mensagem a dizer que tinha sido bom revê-lo.
Mais tarde, já em casa, ainda com aquele encontro na cabeça, decidi enviar-lhe uma mensagem. Foi um gesto simples: "Foi bom ver-te." Uma tentativa genuína de reatar alguma paz, ou pelo menos um convívio cordial.

Ao início, até respondeu com boa disposição, chamou-me "cavaleiro Amadeu", trocámos umas palavras sobre estarmos acordados tarde, sobre trabalhar à noite. Tudo parecia inofensivo. Mas rapidamente a conversa tomou um rumo estranho.

Sem grande aviso, começou a responder com ironias, a dizer que falar comigo era como "falar com uma parede", que eu só "discursava conversa fiada", e que esperava que eu compreendesse que ele me desprezava — tudo embrulhado num "abraço" e desejos de "Boa Páscoa". Uma mensagem fria, confusa, com uma agressividade escondida sob palavras educadas.

Ainda tentei perceber o que se passava, respondi com um simples “???” e mais tarde, num tom pacífico, voltei a perguntar: “Qual é a cena?”

Mas o que veio a seguir foram áudios — mensagens longas, confusas, com um tom cada vez mais agressivo e descontrolado. Ele parecia estar a descarregar algo que nem fazia muito sentido, mas que vinha carregado de mágoa, ressentimento e raiva mal digerida.

Aquela troca de mensagens, que para mim era apenas uma tentativa de reconexão, transformou-se no início de um ciclo de instabilidade

E foi assim que, depois de tudo, cheguei a este ponto.

Recebi uma mensagem que me gelou o sangue. Do [r].

"Tu tens problemas, vou-te pedir pff para nunca voltares a tentar entrar em contacto comigo, e se algum dia seja quando for fizeres algo de mal contra a [b]? Vais desaparecer num bidon. Tamos entendidos, CÁRÁLHO?!"

Li e reli. Primeiro em choque. Depois em incredulidade. E por fim, com um nó no estômago. Porque isto já não era uma simples zanga. Não era uma troca de palavras mais duras. Era uma ameaça de morte clara, explícita — com tudo o que isso carrega.

Uma coisa é uma mágoa mal resolvida. Outra, bem diferente, é ameaçar fazer alguém desaparecer. E fazê-lo com aquele tom, com aquele “emojisinho” no fim — como se fosse uma piada macabra.

A minha primeira reação foi perguntar-me: Como é que chegámos aqui?

Eu que só quis ajudar, que estive presente quando ele mais precisava, agora sou tratado como um inimigo mortal. E o mais irónico: a ameaça nem vem de algo que eu tenha feito, mas de algo que ele inventa na cabeça — um “se algum dia fizeres algo contra a [b]”... Como se eu fosse um perigo. 

O que veio depois dessa troca de mensagens foi ainda mais perturbador.

Recebi um áudio. Um daqueles que não se esquecem.

"Caramba. Tu tens inúmeros problemas de saúde, o autismo, seja o que for, mano.

Eu espero que tu estejas a compreender o que eu estou a dizer nesta mensagem, mano.

Se tu fizeres alguma coisa, algum dia, de mal contra a [b]…

Mano, tu vais receber uma visita do [r] da Scoda.

Mano, eu vou ser a última coisa que tu vais ver na tua vida.

Estamos entendidos? Se algum dia fizeres alguma coisa contra a [b], portanto afasta-te.

Vive a porca da tua vida, mano, e nunca tentes entrar em contacto comigo.

Estamos entendidos, CÁRÁLHO? E mano, eu estou-te a falar muito a sério, CÁRÁLHO."


É difícil descrever o que senti ao ouvir isto.

Foi mais do que um ataque verbal. Foi uma ameaça concreta, nomeando até alguém como se estivesse a planear algo. Chamou-me “doente”, insultou-me, desrespeitou a minha condição, a minha vida, a minha história. E tudo isso por algo que nem existiu — por um “se algum dia” que nunca faria sentido.

Não é justo. Nem humano.
E sobretudo: não é seguro.

domingo, 20 de abril de 2025

20/04/2025

Hoje passado todos estes anos, voltei a ir a Ourique.
Muitas coisas passar-me pela cabeça, foi uma mistura de sentimentos. Foram muitas memórias que me passaram pela cabeça.
Hoje passado estes anos o tópico sobre a saúde da minha mãe está mais que desvendado, eu acredito que ela tem uma doença mental. Algo que ainda estou a lidar com isso.
Lembrei me que naquela terra não sobraram amigos, nem pessoas por rever.
Se estou melhor hoje? Sim certamente.
No entanto ainda existem fatasmas do meu passado que por vezes aparecem. 
O tema familia sempre será um tópico difícil para mim? Talvez, nunca saberei.
Gostava de criar a minha própria familia, mas será que ainda tenho tempo para isso? Será isso uma tarefa possível? 
Encontrar alguém com quem partilhar a vida é algo que parece mega complicados se é que será possível.
Consigo pensar que o que possa estar a viver não passa de universo paralelo onde observo os outros felizes.  E se calhar a minha função é mesmo ajudar os outros a viver um romance mas não viver exactamente a minha história de amor. Será que já é tarde para sonhar? 
Por vezes tenho medo do que estou a pensar. 
Medo da rejeição? Talvez. Jogar neste jogo que é a vida e tentando ganhar o máximo de vezes podem fazer com que não arrisque. Se correu bem seria incrivel.  Mas e se correr mal? Mais vale jogar pelo seguro? Certo?